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Dos gregos (madeira), é aquela técnica que se
origina de um trabalho de incisão manual direto feito sobre uma matriz
de madeira. Utilizando instrumentos de corte apropriados (goivas, facas,
formões e buris), a "matéria" é retirada do suporte deixando visível um
contorno de altos e baixos relevos. Seu caráter dominante reside na extração
e não na adição de matéria, subvertendo portanto a atitude do artista:
os espaços emergem de dentro para fora. O sulco e o relevo geram assim
valores de luz e sombra e zonas intermediárias em que o preto e branco
não significam cheio e vazio.
A mão, aliada ao instrumento agindo sobre o material,
que oferecerá maior ou menor ataque, está sujeita a um ritmo de atuação
biologicamente contido no gesto e na resistência da matéria. Por isso
é que se diz que a xilogravura é aquela forma de expressão gráfica em
que "mais a execução faz parte da criação".
Cada instrumento corresponde a um tipo de sulco deixado
na matriz. Dizemos por isso que em xilogravura existe um verdadeiro alfabeto
instrumental a ser aprendido e praticado. Ao gravar em madeira de topo,
ou seja, madeira seccionada contra o fio, usando de preferência buris
simples ou buris rajados (velôs) resultarão em geral valores brancos sobre
fundo negro. É a xilogravura propriamente dita quando o instrumento pode
mover-se em todas as direções. Ao gravar em madeira de fio, ou seja, madeira
seccionada a favor do fio natural, usando de preferência facas, formões
e goivas, resultarão em geral valores pretos sobre fundo branco. É a xilogravura
propriamente dita quando o instrumento só pode mover-se em direção do
fio e não contra o fio. Esses dois sistemas associados ou mistos é que
dominam a gravura em madeira. Sendo que, inclusive, é totalmente válido
hoje em dia o uso de um instrumental mecânico, quando necessário ao artista
para alcançar um determinado, fim ou imagem. Assim com a utilização na
imagem de texturas ou efeitos naturais da madeira, incorporados propositadamente
à composição.
No estágio de tingagem e impressão, a xilogravura artística
recebe em geral um tratamento manual, a frio.
Impregna-se de tinta uma matriz com um rolo, com uma
escova ou com pincel, dependendo da natureza da tinta (a óleo ou a água).
Uma matriz inteira ou setores dela ou várias matrizes
que compõem uma mesma imagem são (monocromia ou policromia) assim entintadas,
em seguida estão prontas para serem impressas num papel que será apoiado
sobre seus relevos. No verso desse papel é exercida uma pressão, variando
de intensidade conforme a natureza do instrumento: colher bambu, espátula
de osso, "frottage" com pano, boneca de couro, "baren" japonês, rolos
de borracha, madeira ou sintéticos, que determinará uma nítida fixação
da imagem gravada, no verso.
Na Inglaterra, Itália, Alemanha e Flandres eram muito
grande o número de anônimos que desde 1406 produziam blocos de madeira
gravados como artesanato lúdico - cartas do baralho, assim como artesanato
religioso - bíblias, etc. Verdadeiros "Comic Strips" ou estórias em quadrinhos
da época, levando em conta o grande número de analfabetos. Poucos anos
depois (1454), o livro estampado onde surgiram vinhetas e grandes letras
ilustrando os textos, já estava muito difundido com xilogravura de aplicação.
Seguiram-se trabalhando nos valores certos dessa modalidade: Maestro E.S.
1466; Shongauer - 1455-1495; Dürer - 1471-1528; Lucas Cranach - 1472-1553;
Albrecht Altdorfer - 1480-1538; Hans Baldung Grien - 1484-1545; Hans Burgkmair
- 1473-1531; e tantos outros. De 1550 a 1700 é a época da decadência de
xilo e da gravura em geral.
Dominam os reprodutores de desenho e pinturas dos grandes
mestres. Deve-se notar, no entanto, que quando Gutenberg inventou a prensa
(ou imprensa) por volta de 1450, a gravura sobre madeira era ideal pela
possibilidade de mobilidade dos blocos baseados em processos de registro.
Portanto a xilogravura depois de 1550 se dedicou a fixar efeitos decorativos
em força criativa e só existiu porque multiplicava obras de outras técnicas,
caracterizando-se pelo uso de valores emprestados. Exceção feita às xilografias
que se produziam no Oriente por volta dessa época até fins de 1700, por
exemplo Hokusay e Utamaro, este último criador de lindas xilografias que
tem certa ligação com o teatro Kabuki.
Após o período de decadência, houve uma retomada de
xilogravura por seus valores criativos em Thomas Bewick na Inglaterra
(1753-1828). Em 1860 na França, Jean François Millet revive a gravura
em madeira de fio, pouco depois de seguido por Gauguin que se estende
numa obra de grande reinvenção e simplicidade.
Finalmente Edvard Munch, norueguês (1863-1944) realiza
uma obra colossal como gravador em madeira. Faz uma verdadeira revolução,
trabalhando na matriz e imprimindo ele mesmo a sua gravura. Pelo uso específico
dos instrumentos e aproveitamento da madeira é ele que repropõe em sua
plenitude a técnica de xilogravura como meio expressivo.
Na Alemanha, os expressionistas todos trabalharam na
mesma direção. Destacam-se: Nolde, Beckmann, Heckel, Kirchner, Kaethe
Hollwitz, Feininger e tantos outros.
No México, Posada (1851-1913) revive a tradição, nunca
interrompida desde seu início, da gravura sobre madeira ser instrumento
de educação do povo. Tal como Leopoldo Mendez fez uma verdadeira escola
baseada na eloqüência da caricatura e na utilização social da imagem.
Suas gravuras, ou melhor, suas matrizes, eram impressas diretamente nos
jornais diários, ao lado de textos tipográficos e clichês. São estes os
ancestrais recentes de toda uma intenção que impregnou a geração de artistas
do pós-guerra (1939-1945), até mesmo no Brasil.
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