Tomoshigue Kusuno

Tomoshigue Kusuno

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A0448

Tomoshige Kusuno (Yubari, Japão 1935). Desenhista, pintor, artista visual, professor e gravador. Estuda na Universidade de Arte e toma parte no Núcleo de Arte de Vanguarda, em Tóquio, Japão, na década de 1950. Imigra para o Brasil em 1960, fixando-se em São Paulo. No ano seguinte, participa do 10º Salão Paulista de Arte Moderna. Em 1962, é premiado no Salão do Paraná, em Curitiba, e no Salão do Grupo Seibi de Artistas Plásticos, em São Paulo - neste salão também ganha o grande prêmio em 1970, na sua 14ª edição. Ainda na década de 1960, une-se a artistas ligados a tendências da nova figuração, e participa das mostras Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, e Propostas 65, na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap. No Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP, expõe em várias ocasiões, participando da mostra Jovem Arte Contemporânea, na qual recebe prêmios em 1967 e 1972. Ensina desenho na Faap e na comunidade rural Yuba, em Mirandópolis, São Paulo. A partir da década de 1990, integra inúmeras exposições coletivas, entre as quais se destacam a Bienal Brasil Século XX, em 1994, e a Exposição dos Pintores Nipo-Brasileiros Contemporâneos, em 1996, no Museu de Arte de São Paulo - Masp.

Comentário Crítico
Quando se transfere para São Paulo, em 1960, Tomoshige Kusuno liga-se às tendências neofigurativas, cuja produção visa comentar criticamente aspectos da realidade do Brasil. Participa, por conta desse vínculo, das mostras Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, e Propostas 65, na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap. Trabalha tanto com a linguagem dos meios de comunicação de massa, tomando como referência histórias em quadrinhos e reportagens jornalísticas, de acordo com as propostas da nova figuração, como desenvolve, simultaneamente, pinturas abstratas. Kusuno, ao elaborar seus trabalhos, faz uso de diversas técnicas de pintura, bem como do desenho, e da colagem de objetos diretamente sobre a tela.
Além dessas obras, ele concebe objetos. Entretanto, segundo o historiador da arte Walter Zanini, são eles em realidade 'essencialmente uma expressão de pintura e desenho'¹ - seria este o caso de Minúsculo e Maiúsculo, 1965, que se assemelha a uma caixa aberta colocada de cabeça para baixo, com as abas da tampa abertas. Sobre a madeira, material de que é feita a obra, Kusuno desenha figuras, formas geométricas e letras, sobrepondo ou justapondo esses elementos, os quais preenchem toda a superfície do objeto.
Os temas urbanos, como a multidão e a cidade, são recorrentes em sua obra, presentes em várias fases além da neofigurativa. Na década de 1970, Kusuno passa a desenvolver trabalhos nos quais as figuras de animais são tratadas de maneira realista, ou apenas sugeridas, nunca definindo rostos, e quando humanas estão inseridas em espaços atemporais, insólitos, como em Amanhecer, ca.1970, e Ruído, 1977.
No início dos anos 1980, observam-se obras que beiram a abstração - Eclipse, 1983, eFôlego, 1986 -, enquanto outras sugerem aquele mesmo clima atemporal e insólito de trabalhos da década anterior. A partir de então, o artista volta-se definitivamente para a figura, porém, desta vez, com vigorosas pinceladas gestuais de cores vibrantes que resultam numa fatura menos objetiva do que a anterior, elaborada com traços e pinceladas precisos.

Nota
¹ ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães/ Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v.
Comentário crítico
Quando se transfere para São Paulo, em 1960, Tomoshige Kusuno liga-se às tendências neofigurativas, cuja produção visa comentar criticamente aspectos da realidade do Brasil. Participa, por conta desse vínculo, das mostras Opinião 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ, e Propostas 65, na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap. Trabalha tanto com a linguagem dos meios de comunicação de massa, tomando como referência histórias em quadrinhos e reportagens jornalísticas, de acordo com as propostas da nova figuração, como desenvolve, simultaneamente, pinturas abstratas. Kusuno, ao elaborar seus trabalhos, faz uso de diversas técnicas de pintura, bem como do desenho, e da colagem de objetos diretamente sobre a tela.
Além dessas obras, ele concebe objetos. Entretanto, segundo o historiador da arte Walter Zanini, são eles em realidade 'essencialmente uma expressão de pintura e desenho'¹ - seria este o caso de Minúsculo e Maiúsculo, 1965, que se assemelha a uma caixa aberta colocada de cabeça para baixo, com as abas da tampa abertas. Sobre a madeira, material de que é feita a obra, Kusuno desenha figuras, formas geométricas e letras, sobrepondo ou justapondo esses elementos, os quais preenchem toda a superfície do objeto.
Os temas urbanos, como a multidão e a cidade, são recorrentes em sua obra, presentes em várias fases além da neofigurativa. Na década de 1970, Kusuno passa a desenvolver trabalhos nos quais as figuras de animais são tratadas de maneira realista, ou apenas sugeridas, nunca definindo rostos, e quando humanas estão inseridas em espaços atemporais, insólitos, como em Amanhecer, ca.1970, e Ruído, 1977.
No início dos anos 1980, observam-se obras que beiram a abstração - Eclipse, 1983, eFôlego, 1986 -, enquanto outras sugerem aquele mesmo clima atemporal e insólito de trabalhos da década anterior. A partir de então, o artista volta-se definitivamente para a figura, porém, desta vez, com vigorosas pinceladas gestuais de cores vibrantes que resultam numa fatura menos objetiva do que a anterior, elaborada com traços e pinceladas precisos.

Nota
¹ ZANINI, Walter. História geral da arte no Brasil. São Paulo: Fundação Djalma Guimarães/ Instituto Walther Moreira Salles, 1983. 2v.

Nascimento
1935 - Yubari (Japão)
Cronologia
Desenhista, pintor, artista visual, professor, gravador

s.d. - É professor de desenho na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, São Paulo
Déc. 1950 - Cursa a Universidade de Arte e faz parte do Núcleo de Arte de Vanguarda, Tóquio, Japão
1960 - Imigra para o Brasil. Reside por breve período na comunidade rural Yuba (colônia agrícola japonesa) em Mirandópolis, São Paulo, onde leciona desenho
1960 - Muda-se para São Paulo
1961 - Dá início às suas pesquisas de Land Art, manipulando matérias animais e minerais
1980 - Realiza mural para o Centro Técnico Operacional Itaú - CTO, São Paulo
1984 - Participa do Projeto Releitura, na Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, onde interpreta a obra O Mestiço, de Candido Portinari
Críticas

'(...) Ao longo da década de 1960 - aclimatado ao ambiente urbano de criação paulista e buscando conscientemente integrar sua ancestralidade com o polo oposto das novas condições de vivência - ele assumiu de início a iconografia e o sistema da nova-figuração, em desenhos - colagens registrando obsessivamente os elementos de nosso cotidiano de histórias-em-quadrinhos, guerras, anestesia de jornais, vídeos jorrando inutilmente informação, acúmulo ocioso de nada. Mais tarde, a propensão construtiva se acentuou, ao mesmo tempo em que a figura - ração explícita ia sendo substituída por sínteses simbólicas ou distanciadas analogias de paisagens- por volta de 1966, começou a realizar uma série de trabalhos de projeção da pintura bidimensional no espaço, como se a tela tivesse sido estufada e preenchida pelo avesso, através do acréscimo de estruturas-moldes na superfície do suporte, cobertas da mesma tela sobre a qual a pintura, já então de pura pesquisa formal e cromática, recaía. Nesse rumo, chegou a produzir, em 1970 , algumas pinturas-objeto no espaço, abandonando inteiramente a convenção de formatos da tela e incorporando o recurso de possibilidades cinéticas, com o espectador podendo participar diretamente da manipulação do movimento contido na obra. Nos seus desenhos mais recentes, predomina a mesclagem dos climas surrealista, hiper-realista e conceitual de retorno a sutilezas da figuração crítica, com referências mais ou menos explícitas a paisagens e circunstâncias (espaço e tempo) brasileiras'.
Roberto Pontual
PONTUAL, Roberto. Arte/ Brasil/ hoje: 50 anos depois. São Paulo: Collectio, 1973.

'Voltar à pintura como pintura, ou seja, à cor, depois de 20 anos, é o que, nos intérminos confrontos consigo mesmo, propõe-se agora Tomoshige. (...) Durante onze anos ele fez do risco do lápis duro sobre a tela - e desse atrito - um procedimento singular de construção plástica. Isso passou, como passaram, há muito, os tempos de vanguardismo no Japão (quando o chamavam de neodada) e, já no Brasil, dos rele - vos em gesso trincado, das incorporações de objetos, das grandes obras tridimensionais, das serigrafias, todos ciclos reveladores de uma pesquisa sempre participante da dinâmica da arte atual, porém com fortes resistências ao consensual, que terminaram por isolá-lo das vinculações classificatórias. (...) É o mesmo artista que fundamentalmente reencontramos no trânsito por diferenciadas etapas e aberto a novas direções, como agora, na gestualidade de suas ásperas e exaltadas cores acrílicas que fixam fatos da memória, impressões de leitura, da tela de TV e outras observações da realidade cotidiana, em verdade manifestações que suscitam o seu interesse enquanto idéia primacial de movimento. Liberto das contenções do traçado gráfico meticuloso, ele explode numa contraproposta da atitude anterior, em macrogestos, trazendo para os seus quadros um poder de reflexão fina e sagaz sobre o que representam e a própria forma de representar, que respeita os eventuais acidentes de trabalho. Toda essa impulsividade é antecipada por uma concentração própria de sua mente filosófica e não atinge o seu último estágio senão como espontaneidade dominada'.
Walter Zanini
KUSUNO, Tomoshige. Tomoshige Kusuno. São Paulo: Montesanti Galleria, 1988.

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