Flavio Imperio

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A0043

Flávio Império (São Paulo SP 1935 - idem 1985). Arquiteto, professor, cenógrafo, pintor, desenhista, escultor, ilustrador, figurinista. Cursa desenho na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), entre 1956 e 1958. Em 1961, conclui o curso de arquitetura pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Paulo (FAU/USP). Participa do grupo Arquitetura Nova, com Sérgio Ferro (1938) e Rodrigo Lefèvre (1938-1984), e realiza projetos relacionados a questões de moradia popular. A partir da década de 1960, produz cenários e figurinos para diversas peças teatrais, entre elas, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), em 1960- Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) e Augusto Boal (1931-2009), em 1965- Roda Viva, de Chico Buarque (1944), em 1968- e A Falecida, de Nelson Rodrigues (1912-1980), em 1978. Desde os anos 1960, Flávio Império dedica-se paralelamente às artes plásticas, produz desenhos, gravuras e pinturas utilizando variadas técnicas e suportes. Em sua extensa atividade docente, leciona na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), entre 1962 e 1966- na FAU/USP, entre 1962 e 1977 e em 1985- na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), entre 1964 e 1967- e na Faculdade de Belas Artes de São Paulo, entre 1981 e 1985. Com o objetivo de catalogar e preservar sua produção, em 1987 é criada a Sociedade Cultural Flávio Império. Em 1999, é publicado pela Edusp o livro Flávio Império, organizado por Renina Katz (1925) e Amélia Hamburger.

Comentário Crítico

Flávio Império gradua-se em 1961 pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), onde é discípulo de Vilanova Artigas (1915-1985). Com Sérgio Ferro (1938) e Rodrigo Lefèvre (1938-1984), integra o grupo Arquitetura Nova, que propõe uma concepção austera de moradia com radical integração dos ambientes residenciais. Realiza projetos cuja preocupação central é a questão da moradia popular. A partir da década de 1960, atua como cenógrafo junto a vários grupos teatrais. No Teatro de Arena, o principal grupo experimental do momento, explora a conformação arquitetônica do lugar que amplia o ponto de vista do espectador. Torna-se o mais importante cenógrafo paulistano. No espaço cênico de Morte e Vida Severina, 1960 introduz o uso de materiais de baixo custo, transfigurados por seu caráter lúdico. Já em Arena Conta Zumbi, 1965, o cenário apresenta um caráter antiilusionista, atualizando o sentido do conflito histórico da peça.
Desde os anos 1960, Flávio Império dedica-se paralelamente às artes plásticas, realizando desenhos, gravuras e pinturas, empregando variadas técnicas e suportes. Na obra-objeto Para Lina, 1970-1973 faz referência ao contexto político repressivo. Já em O Anjo Novo, 1977 e nos retratos Das Dores, 1978 e Renina Katz, 1971, mantém diálogo com a arte pop, associando o desenho à mancha de cor. Na serigrafia Mangará Bandeira,1981, emprega motivos vegetais, explorando a sinuosidade da linha e utilizando um colorido intenso. Na década de 1970, realiza ainda roteiros para filmes e documentários. O artista tem também importante atuação como professor, lecionando na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, entre 1962 e 1977.

Nascimento/Morte
1935 - São Paulo SP - 19 de dezembro
1985 - São Paulo SP - 7 de setembro

Cronologia
Pintor (autodidata), cenógrafo, desenhista, escultor, ilustrador, figurinista, arquiteto e professor

1940/ca.1952 - São Paulo SP - Cursa o jardim de infância no Liceu Rio Branco- o ginásio na Escola Caetano de Campos, na Praça da República e o colegial no Colégio Presidente Roosevelt, onde colabora em jornais estudantis escrevendo sobre teatro e auxilia Jairo Arco e Flexa na montagem de uma peça de Martins Penna, encenada na formatura
1956/1958 - São Paulo SP - Cursa desenho na Escola de Artesanato do MAM/SP
1956/1959 - São Paulo SP - Une-se ao Grupo da Comunidade de Trabalho Cristo Operário. Realiza a peça teatral Pluft, o Fantasminha
1956/1961 - São Paulo SP - Gradua-se em arquitetura na FAU/USP
1957 - São Paulo SP - Realiza projeto gráfico e desenhos para o programa do espetáculo A Falecida Senhora Sua Mãe, no Teatro de Arena
1959 - Realiza projeto gráfico e desenho para o programa do espetáculo Chapetuba Futebol Clube
1959 - São Paulo SP - Integra a equipe do escritório Joaquim Guedes e colabora no Projeto da Igreja de Vila Madalena
1959 - São Paulo SP - Integra o grupo do Teatro de Arena realizando cenografias. Realiza cenografia da peça Gente como a Gente
1960 - São Paulo SP - Realiza a cenografia e os figurinos para a peça Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, para o Teatro Experimental Cacilda Becker
1961 - São Paulo SP - Prêmio Governador do Estado para o projeto da Igreja de Vila Madalena, do qual é um dos colaboradores
1961 - Ubatuba SP - Realiza projeto para residência de Simon Fausto
1962 - São Paulo SP - Prêmio Saci de melhor cenógrafo do jornal O Estado de S. Paulo
1962 - São Paulo SP - Realiza cenografia para as peças Um Bonde Chamado Desejo eTodo Anjo é Terrível, sob direção de José Celso Martinez Corrêa, no Teatro Oficina
1962/1966 - São Paulo SP - É professor e o responsável pelo curso de cenografia da EAD/USP
1962/1977 e 1985 - São Paulo SP - Integra o corpo docente de comunicação visual do Departamento de Projeto da FAU/USP
1963 - São Paulo SP - Ministra curso de cenografia pela Comissão Estadual de Teatro, Conselho Estadual de Cultura de São Paulo
1963 - São Paulo SP - Prêmio Governador do Estado de melhor cenógrafo
1963 - São Paulo SP - Realiza desenhos de figurinos para a peça O Melhor Juiz, o Rei, de Lope de Vega, adaptado por Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal e Paulo José, direção de Augusto Boal, no Teatro de Arena
1964 - São Paulo SP - Prêmio melhor cenógrafo da APCT e Prêmio Saci de cenografia e figurino da APCT e O Estado de S. Paulo
1964 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para os espetáculos O Filho do Cão, no Teatro de Arena- Depois da Queda, no Teatro Maria Della Costa, e Andorra, no Teatro Oficina
1964 - São Paulo SP e Belém PA - Cria cenários para as peças Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda, Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht
1964/1967 - São Paulo SP - Ministra curso para formação de professores de desenho, na Faap
1965 - São Paulo SP - Ministra a conferência Cenografia no Brasil, no Grêmio da Faculdade de Arquitetura Mackenzie
1965 - São Paulo SP - Prêmio Governador do Estado de melhor cenógrafo e figurinista
1965 - São Paulo SP e Belém PA - Cria cenários para as peças Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal
1966 - São Paulo SP - Realiza a conferência Século XX: civilização da imagem, no Grêmio da Escola Politécnica/USP
1966 - São Paulo SP - Realiza a conferência Teatro Épico, na Faap
1966 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para o espetáculo Os Inimigos, no Teatro Oficina e no Teatro Brasileiro de Comédia
1966 - São Paulo SP - Realiza projeto gráfico e ilustração dos volumes Sexo e Educação (I e II), de autoria de Gervásio Sabá, Editora Brasiliense
1967 - Prêmio Molière de melhor cenógrafo e figurinista da Air France
1967 - São Paulo SP - Ministra as conferências Iniciação à Linguagem Visual, na USP, e Pintura: Produto de Importação, na 9ª Bienal Internacional de São Paulo
1967 - São Paulo SP - Realiza figurinos e cenografia para a peça Arena Conta Tiradentes, no Teatro de Arena
1967 - Interior de SP - Participa da elaboração dos projetos da Escola Normal e Ginásio Estadual de Brotas- do Instituto de Educação Sud Menucci de Piracicaba, com Rodrigo Lefèvre, e do Ginásio Estadual de Vila Ercília, em São José do Rio Preto, com Sérgio Ferro
1968 - Rio de Janeiro RJ - Realiza cenografia e figurinos para a peça Roda Viva, no Teatro Princesa Isabel
1968 - São Paulo SP - É diretor, cenógrafo e figurinista do espetáculo Os Fuzis de Dona Tereza (Os Fuzis da Senhora Carrar), apresentado com o título alterado para evitar a censura do espetáculo no Teatro dos Universitários de São Paulo
1968 - São Paulo SP - Prêmio Governador do Estado de melhor figurinista
1969 - Realiza cenografia do filme O Profeta da Fome, roteiro e direção de Maurice Capovilla
1970 - Escreve o roteiro cinematográfico de Os Deuses e os Mortos, com Paulo José e Ruy Guerra
1970 - Participa das atividades do grupo Living Theatre, em visita ao Brasil
1971 - Rio de Janeiro RJ - Executa cenografia e figurino para o show Rosa dos Ventos, de Maria Bethânia, no Teatro da Praia
1972 - Realiza cenografia para o filme A Porta do Céu, roteiro e direção de Djalma Limongi Batista
1974 - Rio de Janeiro RJ - Realiza cenário e figurinos para o show A Cena Muda, de Maria Bethânia, no Teatro Casa Grande
1975 - É diretor, roteirista e produtor do filme A Pequena Ilha da Sicília, documentário em super-8, realizado como trabalho final para o curso de pós-graduação Ecologia Urbana, coordenado por Aziz Ab'Saber
1975 - São Paulo SP - Realiza cenário e figurinos para a peça Réveillon, no Teatro Anchieta
1975 - Faz pós-graduação e seu trabalho de conclusão é orientado por Aziz Ab'Saber
1975 - São Paulo SP - Prêmio melhor cenógrafo da APCA
1976 - É diretor, roteirista e produtor do filme Colhe, Carda, Fia, Urde e Tece, documentário em super-8
1976 - São Paulo SP - Realiza cenário para o show Doces Bárbaros com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia, no Anhembi
1976 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para a peça Pano de Boca, no Teatro Treze de Maio
1977 - Rio de Janeiro RJ - Realiza cenografia e figurinos para o show de Maria Bethânia Pássaro da Manhã, no Teatro da Praia
1977 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para a peça Um Ponto de Luz, no Teatro Anchieta, e Noel Rosa: o poeta da Vila e seus amores, no Teatro Popular do Sesi
1977 - São Paulo SP - Prêmio melhor figurinista pela APCA e prêmio Governador do Estado de melhor cenógrafo
1978 - São Paulo SP - Prêmio Governador do Estado de melhor figurinista
1979 - Realiza projeto para a capa do disco Paulinho Boca de Cantor, da CBS
1979 - São Paulo SP - Realiza a conferência O Neofigurativismo dos Anos 60, no Museu Lasar Segall
1979 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para o espetáculo A Falecida, no Teatro Popular do Sesi
1980 - Brasil - Prêmio melhor cenógrafo no Troféu Mambembe - MEC/Serviço Nacional de Teatro
1980 - São Paulo SP - Realiza cenografia do Corpo de Baile Municipal e figurinos para o espetáculo de dança Sol do Meio-Dia, no Teatro Municipal de São Paulo
1980 - São Paulo SP - Realiza conferência Fotografia e Espaço, no Sesc
1981 - São Paulo SP - Realiza cenário e figurinos para o espetáculo de dança Libertas Quae Sera Tamen, no Teatro Municipal de São Paulo
1981/1985 - São Paulo SP - Torna-se professor docente da Faculdade de Belas Artes, no curso de arquitetura e urbanismo
1982 - São Paulo SP - Realiza cenografia e figurinos para o espetáculo Othello, no Teatro Cultura Artística
1982 - São Paulo SP - Prêmio melhor figurinista da APCA
1983 - Brasil - Prêmio melhor cenógrafo do Troféu Mambembe - MEC/Serviço Nacional do Teatro
1983 - Realiza cenografia e figurinos para o espetáculo Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas, no Teatro Popular do Sesi
1983 - Realiza projeto gráfico para a capa do disco Erik Satie, vol. 5, Cordélia Canabrava Arruda, Pietro Maranca e Ayrton Pinto, da Fermata
1983 - São Paulo SP - Realiza conferências sobre Arte-Educação na Sociedade em Transformação no 2º Encontro de Arte Educação e Espaço e Cena, no CCSP
1983 - São Paulo SP - Prêmios de melhor figurinista e melhor cenógrafo da Apetesp de Teatro
1984 - São Paulo SP - É roteirista, cenógrafo e figurinista do espetáculo de dançaAbsurdos, do Balé da Cidade de São Paulo, no Teatro Municipal
1984 - São Paulo SP - Participa da Equipe Emurb na interdição da Avenida Sumaré
1984 - São Paulo SP - Prêmios Governador do Estado de melhor cenógrafo e melhor figurinista
1984 - São Paulo SP - Realiza decoração do carnaval na Av. Tiradentes e no baile do Palace
1984 - São Paulo SP - Projeta e inicia reforma da Casa de um Artista, na Rua Monsenhor Passalacqua, 47
1985 - Rio de Janeiro RJ - Realiza cenografia e figurinos para o show Maria Bethânia: 20 anos de paixão, no Canecão
1985 - São Paulo SP - Integra-se ao quadro de professores da FAU/USP
1985 - São Paulo SP - Realiza cenografia para a peça O Rei do Riso, no Teatro Popular do Sesi
1985 - São Paulo SP - Realiza cenografias para desfiles de moda das Empresas Têxteis Santista, do Centro Empresarial de São Paulo e Nesa Cesar Palace
1985 - São Paulo SP - Homenagem póstuma de melhor cenógrafo do Prêmio Governador do Estado
1985 - São Paulo SP - Prêmios de melhor cenógrafo e melhor figurinista da Apetesp de Teatro
1987 - São Paulo SP - É fundada a Sociedade Cultural Flávio Império responsável pelo Projeto Flávio Império, de levantamento, catalogação, restauro, preservação e divulgação de toda obra do artista
1999 - São Paulo SP - É publicado o livro Flávio Império, pela Edusp, organizado por Renina Katz e Amélia Hamburger

Críticas

"(...) Ele é indiscutivelmente o Daumier da arte brasileira satírica de hoje, potencialmente um dos maiores pintores satíricos contemporâneos de todo o mundo. Ultimamente, Flávio enriqueceu de modo notável as suas composições pelo emprego de numerosos objetos pequenos apostos às suas telas, de maneira sobremodo feliz. Conseguiu, assim, criar imagens definitivas de alguns dos protótipos da vida política brasileira dos últimos anos. Dotado de uma inteligência aguda e implacável, Flávio revela a desumanidade, a confusão e a inépcia vociferante dos reacionários brasileiros, desmascarando a sua vacuidade empolada. Ele se distingue essencialmente de artistas como Enrico Baj, Juan Genovês, Manuel Calvo e Rosenquist, que possuem um senso trágico tão profundo. Flávio desmascara e fustiga, sem se apiedar. Tem maior eficácia política (...)".
Mario Schenberg
SCHENBERG, Mario. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988.

"Flávio Império, arquiteto, desenhista, gráfico, pintor, professor e cenógrafo. Poucos são os artistas com este perfil, especialmente pelo fato de Flávio Império transitar por estas áreas de produção artística com a desenvoltura de especialista e com excepcional originalidade.
O espaço tridimensional era seu território preferencial. Na cenografia teatral jogou todo o seu potencial renovador, o que não o impediu de desenvolver vasta produção pictórica e gráfica.
Na pintura era pintor, na gravura, gráfico, no desenho, desenhista. Conhecia as particularidades de cada técnica e suas possibilidades como linguagem.
Flávio era ágil na construção e na decifração dos significados da linguagem visual.
Articulado verbalmente, fluente na escrita, era dotado de apurado pensamento visual, qualidades que fizeram dele um professor completo.
O desenho de Flávio Império era um ato de reflexão, instrumento de organização da idéia, do espaço físico e da sensibilidade. Seria como que a ordem sensível.
Lembrando Leon Batista Alberti no Tratado de Arquitetura: ' O desenho é toda idéia separada da matéria, é a imagem da obra, independentemente dos processos técnicos e dos materiais necessários para realizá-la'.
O desenho representa, pois, a linha geral do pensamento, da imagem, e era assim que Flávio Império o utilizava, como base de toda a sua produção artística. O desenho comparecia como marcador de intenções expressivas, criador de idéias e de realidades artísticas. Do papel ao cenário.
Tanto no discurso verbal como no visual, a imagem poética de Flávio Império era destituída de ornamentos supérfluos e metáforas fáceis. Preferia o uso de todos os sentidos, o olhar, o tato, o ouvido, na apreensão do mundo circundante. Tudo o que pertencia ao universo sensível, tátil, era passível de transformação em visualidade e matéria artística.
Na serigrafia e na litografia, o desenho estruturador das tensões e movimentos era aliado à cor como dinamizadora de planos. A cor não era introduzida como mero tingimento, era matéria ótica. Esta característica também está presente na sua pintura.
A escolha dos suportes era livre, diversificada. Do tecido ao acetato, do opaco ao transparente. Do plano ao relevo, até o espaço, de tudo ele se aproximava para seus desígnios artísticos.
Utilizando técnicas convencionais, seu comportamento, entretanto, não era ortodoxo. Flávio Império não acreditava em regras invioláveis. Era um experimentador por excelência.
Desenhar, pintar, litografar, eram exercícios do olho e da mente, atos inteligentes e sensíveis, a procura da configuração de uma poética visual pessoal, com abrangência universal. Assim poderíamos definir Flávio Império como um humanista da modernidade contemporânea".
Renina Katz
IMPÉRIO, Flávio. Flávio Império em cena. São Paulo : Sesc, 1997. p. 15.

"O modelo associativo dos anos 60 acrescenta ideal civilizatório à ideologia socialista, temperada sempre pelo imperialismo e, algumas vezes, pelo nacionalismo. Flávio Império inicia-se profissionalmente dentro dessa nova conformação das vanguardas artísticas. Desde o seu primeiro trabalho, ainda amador, até a sua ligação com o Teatro de Arena de São Paulo, em 1959, trabalha com projetos artísticos que contemplam a redenção social da platéia, além da sua eventual redenção estética e espiritual. (...).
Sem dúvida, amparado por seus conhecimentos de arquitetura, o cenógrafo iniciante submete o edifício a uma decupagem crítica e, como resultado, elege o chão como elemento primordial para suatentar a concepção cenográfica. Sobre essa base situa elementos construtivos simples, como os praticáveis e objetos de cena que indicam - mas não ocultam - esse centro para onde todos os olhares convergem. (...)
(...) Na sua ligação com a moderna arquitetura brasileira, experimenta uma linguagem em que os elementos construtivos são expostos e em que o partido adotado procura, muitas vezes, propor novos hábitos através da reorganização do espaço. Assim, uma cenografia que procura ser não-ilusionista e estimula uma nova forma de ver tem analogia clara com a arquitetura que se faz nos anos 40. Como arquiteto, Flávio Império faz confluir para a criação cênica um procedimento que considera todo o edifício como linguagem, desde a sua face externa até a área destinada à representação".
Mariangela Alves de Lima
Flávio Império/Renina Katz e Amélia Império Hamburger (orgs.). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999. (Artistas Brasileiros- 13). p. 273