Niobe Xando

Niobe Xando

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A0325

Niobe Nogueira Xandó Bloch (Campos Novos do Paranapanema, atual Campos Novos Paulista SP 1915 - São Paulo SP 2010). Pintora, desenhista e escritora. Autodidata. Vive a infância e a adolescência no interior de São Paulo, muda-se para a capital em 1932. Casa-se aos 16 anos com João Baptista Ribeiro Rosa, destacado militante, e passa a frequentar os locais de reuniões do Partido Comunista. Inicia sua carreira como artista plástica em 1947. Nesse ano, conhece os pintores Yoshiya Takaoka(1909-1978) e Geraldo de Barros (1923 - 1998) no ateliê do professor e artista Raphael Galvez (1895 - 1961). Faz sua primeira exposição individual em 1953, em São Paulo, na Livraria das Bandeiras, na Praça da República. Separada do primeiro marido, casa-se novamente com o intelectual tcheco Alexandre Bloch, por intermédio de quem se torna amiga de Vilém Flusser, que escreve artigos sobre sua obra de Xandó. Durante o ano de 1957, viaja pelas cidades de Madri, La Coruña e Paris. Seu trabalho ganha destaque em 1965, na 8ª Bienal Internacional de São Paulo. De volta ao Brasil, muda-se com o marido para Salvador. O casal segue para a Europa em 1968, com períodos em Paris, Londres e Estocolmo. Regressam ao Brasil em 1971, vivendo em São Paulo até 1980. Xandó viaja a Nova York em 1981 e 1983, depois regressando em definitivo ao Brasil. Entre as exposições em que se destaca estão a 10ª Bienal Internacional de São Paulo, de 1969, onde tem sua obra apresentada na sala especial de Artes Mágica, Fantástica e Surrealista, e a 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo, realizada em 1978, onde seu trabalho representa a influência das culturas africana e indígena na arte brasileira.

Nascimento/Morte
1915 - Campos Novos do Paranapanema (atual Campos Novos Paulista) SP
2010 - São Paulo SP - 19 de fevereiro
Cronologia
Pintora, desenhista, escritora

s.d. - Passa sua infância e adolescência entre as cidades de Assis, Avaré e Botucatu, interior de São Paulo
1932 - Vive em São Paulo
1957/1958 - Vive na França e na Espanha
1966 - Escolhida pelos artistas para participar do júri do 15º Salão Paulista de Arte Moderna, realizado na Galeria Prestes Maia
1968/1972 - Nesse período vive na Europa
1982 - Reside em Nova York

Críticas
'Numa carreira que já se estende por quarenta anos, Niobe Xandó vem dando exteriorização a seu rico mundo interior, concretizando, catarticamente, estranhas máscaras que evocam culturas primitivas e antiquíssimos atavismos, ou então signos que corresponderiam a perdidas civilizações. Toda a sua evolução pictórica pode ser resumida num gradativo mas irreversível processo de afastamento da natureza e de adoção de uma simbologia fantástica, na qual a imaginação desempenha papel preponderante, descambando não raro no mítico e no mágico. Não sem razão, ao apresentar sua mostra individual de 1966 na Galeria Astréia, de São Paulo, Mário Schenberg denominou-a de pioneira brasileira do Realismo Fantástico, enquanto o crítico francês Claude Arsene Vallet, tratando de sua exposição de 1969 em Paris, na Galeria de l´Université, refere-se a seus grandes hieróglifos, que transcrevem fórmulas mágicas de um antigo simbolismo, e enfatizam a força que ainda une o homem aos seus deuses. Buscando conciliar num todo coerente dois universos aparentemente contraditórios - o tribal, arcaico, e industrial, da sociedade contemporânea - Niobe Xandó articula, por vezes até inconscientemente, uma linguagem extremamente pessoal, caracterizada pela invenção e pela constante pesquisa, e não recuando, para atingir seus propósitos, ante a utilização de novos recursos técnicos, como a colagem e a xerox, ou de procedimentos estilísticos que abarcam a abstração geométrica e o construtivismo'.
José Roberto Teixeira Leite
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.

'(...) a paulista Niobe Xandó criou uma linguagem baseada em símbolos gráficos. Seu trabalho já era evidenciado dentro e fora do Brasil quando, em 1968, foi um dos centros de atenção nos debates sobre a 1ª Bienal Latino-Americana realizada em torno do temaMitos e Magia.
A artista, considerada por Mário Schenberg como uma das figuras pioneiras da arte mágica no Brasil, notou que 'máscaras foram surgindo'. Por volta de 1964, 'pintava plantas selvagens, imaginárias, quando formas estranhas passaram a surgir entre elas', impulsionando-a a fazer 'pequenos tracinhos', num trabalho intercalado com a pintura.
Niobe, então, passou a criar figuras cujos elementos parecem hieróglifos e símbolos matemáticos. Nas suas telas, há uma textura gráfica, que lembra códigos desconhecidos. A chave para decifrar esses códigos muitas vezes está no verso da tela, onde a artista decodifica, com letras, sílabas ou palavras interias, a sua linguagem plástica.
E, assim, como na tradição estética da África, a arte de Niobe Xandó quer efetivamente dizer algo, pronunciar-se e criar um discurso com um 'letrismo', que é como ela chama o conjunto formado por seus 'tracinhos', ultrapassando os limites do desenho e da pintura, da escrita e da tecelagem'.
Marta Heloísa Leuba Salum
MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP, SASSOUN, Suzanna (coord.). Arte afro-brasileira. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais, 2000.